A menininha que vai ter que cuidar de outra menininha...

Crítica Pessoal.
Saiu no Jornal do Comércio, dia 15 de junho de 2006, “Menina de 10 anos torna-se mãe”. Gente, eu fiquei atônica quando li essa reportagem. Uma menina de apenas 10 anos deu luz a uma criança, não foi divulgado o sexo da mesma, numa maternidade Santa Mônica em Maceió. Na reportagem dizia que o parto foi cesariano, claro parto de risco, e que o pai da criança era o seu namorado. A médica descartou a possibilidade de a menina ter sofrido violência sexual ou abuso sexual. Não foi divulgado o nome, nem a procedência dos envolvidos. As duas crianças passam bem.
O índice de natalidade está caindo, mas na adolescência percebemos cada vez mais os seu aumento. Segundo o SUS (Sistema Único de Saúde) aproximadamente 27% dos partos feitos no ano de 1999, foram em adolescentes de 10 a 19 anos, isso quer dizer que a cada 100 partos, 27 foram em adolescentes, dando um total de 756.553, naquele ano.
Agora por que isso ocorre?
Muitas vezes isso ocorre por falta de orientação sexual nas escolas, nas famílias, nas comunidades. As pessoas têm que perceber que cada vez mais a tendência é a criança desde cedo partir para aflorar esse seu lado mais “adulto”, e que é preciso que a educação venha logo cedo de casa, os pais influenciar sua filha ou filho, a falar sobre suas “curiosidades”, sem repreensão, deixando-os à vontade. E claro dando-lhes meios para uma contracepção tanto ativa, quanto passiva. Já que realmente a prática sexual é algo necessário para o seu humano, mas não precisa ser tão cedo.
A mídia também é outra que acaba influenciando nessa “atrocidade”, exagerando na erotização do corpo de algumas pessoas que são vistas na passarela, revista, cinema e televisão. Para os adolescentes, eles são verdadeiros ídolos, que passam uma imagem de liberação sexual. E o adolescente acaba por querer imitá-los.
Vejamos um caso que mostra isso, a empregada da minha avó conversando naturalmente conosco durante um almoço, ao ver um programa desses exibidos no sbt nordeste, do horário, o qual só passa vulgarização e exposição dos corpos femininos e masculinos, influenciados por um ritmo musical que é “recebido” mais pela população desprovida de “recursos”, disse que a netinha dela de apenas 2 anos de idade adorava aquele programa e vivia dançando junto a televisão. Engraçado não, sua filha teve sua neta com apenas 16 anos de idade.
Enfim, aonde eu quero chegar com isso??
Bem, não quero mudar o mundo sozinha, sei que isso, não poderei, mas a minha boca é minha, minhas mãos e liberdade de expressão também. E desde que tenho “recursos” desde morais e éticos, do meu principio de existência e viver-se bem. Eu falarei sobre o que eu acho que está certo ou errado. E tentarei conscientizar os outros disso, ou então apenas mostrar-lhes do que de real está acontecendo por aqui.
Se eu devo mostrar minhas “pílulas milagrosas” para consertar o erro?
Não, deixo isso agora para vocês, minha opinião e ação já estão sendo feitas, espero então que vocês é que caiam na real e vejam o que podem fazer por isso, e por outras...
Amanda Sotero
15.06.06

2 Comments:
A idéia de que um caso tem como um dos principais motivos a exagerada propagação da sensualidade e erotismo na mídia, é completamente plausível. De fato, as crianças despertam para o sexo muito mais cedo do que deveriam, e eu me arriscaria a dizer que a mídia é a principal culpada disso. E por que? Bem, nessa discussão, onde o termo pai e filho não reflete de maneira alguma o que estamos acostumados a imaginar (afinal de contas, uma mãe de dez anos de idade é mãe ou filha nessa polêmica?) não creio que atribuir a culpa aos pais seja algo preciso. Vale lembrar que mesmo nas famílias "comuns", o sexo costuma ser tabu...
Questões culturais, "falocultura" imperialista onde a submissão feminina é vista de maneira deformada como um esteriótipo do ser(verbo) feminino e onde o macho dominador é submisso apenas aos desejos da sua glande e acessórios.
Cabe as mães e futuras mães, únicas responsáveis, pensarem em não transformar seus filhos em repressores de mulheres, mas em amantes - e bons amantes, diga-se de passagem - , companheiros, enfim, cúmplices de suas parceiras e não seus opositores.
O amor é essencial a vida.
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