31.10.07

O motivo da Rosa.

Pois que há tempos não escrevo. Vem de uma ânsia que me nega o peito. O vômito, hoje, tornara-se necessário. E por isso, um motivo.

_ Escrevo.



Escrevo tão somente, porque não caibo em mim. Caber num ser minúsculo de 1,53m de altura, a qual motivo às vezes de zombaria, talvez não seja motivo para calar-se. Se Deus me deu boca, ouvidos, e mãos... Foi para expressar-me de alguma forma.
Pois que o que expresso, ou “meio” expresso aqui. Queira eu, indagar-me...

Se tenho motivos? Não, até que até agora, ainda não tenho. Talvez não um tão especial. Mas a ânsia de querer escrever já me dá motivo.
...

Bem, talvez há. Mais um... (_ Pensando bem).

Quem sabe o motivo da rosa.

O motivo da Rosa ter continuado lá, quando um dia a rosa quase morrera. Esse seria um motivo especial.

A rosa, por mais triste e murcha que ela estivesse. Ela tinha ainda seiva bruta. E num dia qualquer, como que num impulso mágico. A rosa limpou o que havia de sujo no seu minúsculo corpo de 1,53m. E conseguiu enxergar as coisas com mais nitidez, além de claro, sentir-se mais viva e limpa. A rosa descobriu que além de muito amar, ela também era amada. E que tinha válido a pena toda a tempestade que teve que passar, todos os charcos de sangue que teve que derramar por cada pessoa que tocara em seus espinhos, tinha válido a pena toda a melancolia triste que não saia dela nas noites frias sem luar, também pela força bruta que arrumou de si parar calar, ficar quieta, quando poderia gritar...
Sabia a Rosa, que seu grito era desumano. Seu grito poderia matar.
Pensou então, a pequenina Rosa. Que sim, tinha válido a pena todo o seu esforço. Que já não era tarde. Ela ainda conseguiria voltar a brilhar...

...

Então, a Rosa, hoje, está mais viva do que nunca e pronta para mais e mais, e novos dias de sol a ver raiar.

Amanda Sotero

31/10/07