27.11.07

Nostalgia.

Ao avesso

Sinto-me encantada
Por sombras desvairadas
Uma mente subversiva
Um tanto quanto audaciosa

Mas que se trava
Ao sentir, presumir
Trúcidos gritos alheios

Quero muito ficar
Mas tenho que ir!
Muito falar...me emudeço!
Ou muito agir...mas me fecho!

Não sei mais o que fazer
Por muitas vezes
Quase sempre
Sou um rio...
Anil, temporário!

Que corre, corre!
Não posso, não devo!
Mas quero, quero tanto!
Enlouqueço!

No anoitecer do meu quarto
Quando sinto-me... livre
Talho-me, poesia.

Indiscutível prazer maior
Soberbo, sublime, pecaminoso
Mas ... absolvido!

Em dias únicos
Perdidos no calendário lunar
Dos meus sentimentos.

Por que sou crua
Inconstância de atos
Que de um lado é desejo
E do outro...Retrato!

Amanda S
22.06.05

Comentário:

Deu vontade de mostrar, relembrar algumas poesias antigas minhas. Estas que um dia já tiveram o seu encargo de muito mexer comigo ao ponto de escrevê-las. São tantas coisas vividas, encharcadas de sentimentos. Que nos dias de hoje, penso com saudade dos tempos de pureza que não voltam mais...
Por que não mostrá-las, não quero mais esquecê-las...
Meu diário, minhas vidas.

12.11.07

À virgem dos lábios de fel.


O que se passa e não se vê.
Transtorno da alma.
Pessoas falam o que querem falar
Desculpas vãs não vão me acalmar.

O mesmo ser de cruas errâcias
Palvras tolas, sem lembranças
Estas que não saem mais
Como cólera nos meus pulmões.

Como doce um dia fora
Cantava canções natalinas a me encantar
Seu peito aconchegante meu caminho.
Hoje o ásco de um recuo sem sentido

Uma farsa que não é tola
De tudo o que se faz doer o coração
Tornara-se o avesso da visão
Do que um dia um anjo fora.

By: Lua_Adversa.
12/11/07

5.11.07

Músicas...

hum...
Certas músicas me lembram alguém.
Um sentido vago, sem razão.
Como pode?
Esperteza este é seu nome.
Esperteza.

Uma frieza.

Down em mim

Cazuza

Composição: Frejat/Cazuza

Eu não sei o que o meu corpo abriga
Nestas noites quentes de verão
E nem me importa que mil raios partam
Qualquer sentido vago de razão
Eu ando tão down
Eu ando tão down

Outra vez vou te cantar, vou te gritar
Te rebocar do bar
E as paredes do meu quarto vão assistir comigo
À versão nova de uma velha história
E quando o sol vier socar minha cara
Com certeza você já foi embora
Eu ando tão down
Eu ando tão down

Outra vez vou te esquecer
Pois nestas horas pega mal sofrer
Da privada eu vou dar com a minha cara
De panaca pintada no espelho
E me lembrar, sorrindo, que o banheiro
É a igreja de todos os bêbados
Eu ando tão down
Eu ando tão down
Eu ando tão down
Down... down


PERFEIÇÃO!

31.10.07

O motivo da Rosa.

Pois que há tempos não escrevo. Vem de uma ânsia que me nega o peito. O vômito, hoje, tornara-se necessário. E por isso, um motivo.

_ Escrevo.



Escrevo tão somente, porque não caibo em mim. Caber num ser minúsculo de 1,53m de altura, a qual motivo às vezes de zombaria, talvez não seja motivo para calar-se. Se Deus me deu boca, ouvidos, e mãos... Foi para expressar-me de alguma forma.
Pois que o que expresso, ou “meio” expresso aqui. Queira eu, indagar-me...

Se tenho motivos? Não, até que até agora, ainda não tenho. Talvez não um tão especial. Mas a ânsia de querer escrever já me dá motivo.
...

Bem, talvez há. Mais um... (_ Pensando bem).

Quem sabe o motivo da rosa.

O motivo da Rosa ter continuado lá, quando um dia a rosa quase morrera. Esse seria um motivo especial.

A rosa, por mais triste e murcha que ela estivesse. Ela tinha ainda seiva bruta. E num dia qualquer, como que num impulso mágico. A rosa limpou o que havia de sujo no seu minúsculo corpo de 1,53m. E conseguiu enxergar as coisas com mais nitidez, além de claro, sentir-se mais viva e limpa. A rosa descobriu que além de muito amar, ela também era amada. E que tinha válido a pena toda a tempestade que teve que passar, todos os charcos de sangue que teve que derramar por cada pessoa que tocara em seus espinhos, tinha válido a pena toda a melancolia triste que não saia dela nas noites frias sem luar, também pela força bruta que arrumou de si parar calar, ficar quieta, quando poderia gritar...
Sabia a Rosa, que seu grito era desumano. Seu grito poderia matar.
Pensou então, a pequenina Rosa. Que sim, tinha válido a pena todo o seu esforço. Que já não era tarde. Ela ainda conseguiria voltar a brilhar...

...

Então, a Rosa, hoje, está mais viva do que nunca e pronta para mais e mais, e novos dias de sol a ver raiar.

Amanda Sotero

31/10/07

14.2.07

A volta! kkkk

Hoje, depois de muito tempo como vocês podem observar pelas datas, decidi voltar a escrever no blogger. Ocorre que há um tempo eu não venho me sentindo bem para escrever sobre o que for. Algo me travava, ainda estou um pouco assim, mas espero que com o decorrer do tempo e da meu acesso aqui esse caso se reverta.
Enfim... Agora caio numa interrogação. Rs...
O que devo começar a falar? Poderia fazer um certo resumo de mim, ou do que está acontecendo além de mim. Mas confesso que não sei qual desses mais me interessa agora, ou interessa a alguém, se é que terei leitores. Kkkk...
Enfim.. vou falando. =)

Escrever para mim é tão fisiologicamente necessário, que às vezes eu digo a alguém que me sinto mal e sufocada por não estar conseguindo me expressar por escrita, e este alguém releva, ou tenta me dar conselhos confortantes do tipo: “_ É uma fase, Amanda. Calma, todo mundo tem a sua!”. Eu respondo: “_Tudo bem, eu concordo com o que dizeis, caro amigo. Mas isso não consegue me confortar, porque é algo em mim, mais do que entendo, ou poderia explanar.”
Quando escrevo o que sinto, desabafo com o meu melhor amigo, abraço meus sentidos, choro de mim mesma, tento encontrar soluções, discuto sentimentos, e ninguém me chama de doida por isso.
Quando escrevo, eu realmente consigo sentir aquela faísca forte de liberdade que geralmente só sentimos quando pensamos, e o bom de sentir isto na escrita é que eu poço voltar a sentir as mesmas coisas quando releio o que escrevi, mesmo tendo passado tempos depois do pensamento impulso.
Enfim, escrever para mim é não ter limites. É buscar o divisível, amorfo, complexo, e ilimitado pensar. E para você?!

7.9.06

Violação...

Como uma tempestade sem volta
Todo um tornado de vida
Num oceano nu, dentro do meu peito.
Minha alma rasgada a sangue frio.
Meu peito estraçalhado ao avesso
Do corpo, desfigurado em espinhos...
Os olhos fixos num ponto vazio
E agora? Solidão de quem ama...
O fim, de um nunca mais...
O homicídio do amor em chamas...
Jogar-se de um precipício
E estraçalhar os sonhos no chão.
Afundar com esse navio fechado.
E atirar meu peito longe...
( Autoria: Meu peito...)
07.09.06

14.7.06

Malditos

Malditas são as palavras que são ditas,
mas nunca ouvidas de verdade.

Malditas são as pessoas que não enxergam o que
está em sua frente.

Malditas são as coisas que nos pertencem, mas que
nunca foram nossas de verdade.

Malditas são as "perfeições” do mundo que não são,
nem nunca foram perfeitas.

Malditas são as coisas do mundo, que nunca conseguimos
entender.

Malditos são os seres inferiores que sempre se
tornam superiores

Maldita é a pessoa ser o que não é, e não consegui
ser quem verdadeiramente é.

Maldito é o destino que nunca conseguimos traçar.

“Maldito é ser maldito e não conseguir ver que na
vida tudo é maldito”.

Amanda Sotero
00.00.01

Rs... Uma poesia que fiz quando tinha 14 aninhos e estava passando por uma fase super complicada, hauhau, é engraçado lê-la hoje e trazê-la para o meu presente. Fico coberta de muitas sensações e lembranças. E tento interpretá-la para o meu hoje em algumas coisas...
O bom de escrever é isso, passam se os tempos, os anos, as pessoas, e aquilo que você viveu e sentiu, sempre está lá, escrito, seja em qualquer lugar. ( claro se você guardar o que escreveu)..^^

Hoje, doente! =(
Cama!

28.6.06

"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca".( Clarice Lispector)


Uma frase dessa grande escritora que por muitas vezes suas palavras parecem ser o que eu teria a dizer, mas não disse...
Minha vida anda meio complicada, me deparo com um monte de situações as quais não sei bem quais atitudes tomar, e acabo por me deixar levar, sem fio, por dentro desse labirinto que desde a plenitude e criação do meu ser, existe.
São cobranças próprias, cobranças do mundo...
São sentimentos que vem, de angústia, de sentir-se uma por vezes inútil, quando você se depara com o erro tentando acertar, e acaba por conseqüências às vezes graves, as vezes não.
Devemos aprender com as pedras que a vida te mostra nos caminhos...
Mas a felicidade só pode ser sentida se houver essas pedras?
É assim, a ordem da vida?
É assim que devemos dizer então felizes?
Se para que isso aconteça, por muitas vezes implica em você acabar machucando um outro alguém, mesmo que sem intenção, pois a felicidade de um pode não ser a felicidade do outro, ou até mesmo de você pisar em cacos para subir degraus.
Ou seja, e as marcas como ficam?
Para você se sentir feliz, você tem que se vangloriar por ter conseguido superar aquela coisa ruim...
Mas e as lembranças da dor, elas sempre estarão lá, mesmo que em retrato...
Isso é ser feliz?
Bem, estou em contradição do que ser vê em minha teoria de felicidade e prática da mesma... Vendo que tudo é um ciclo contraditório, um sorriso e um pranto, um pavor e acalanto, um amor e um ódio, um tesão e uma fé, um rosto e um anonimato, um sentir e um não tocar, um ver e um não enxergar, um doar e um negar, um viver e um sobreviver...
Enfim...

26.6.06

Poeminha...^^ ( antigo, com essência de um hoje) =D

Eu

Eu...
Apenas...Eu!
Meu eu
Não qualquer eu
Mas eu
Simplesmente eu
Somente eu
Vivo eu
Choro eu
Teu eu
Quero eu
Mesmo eu
Sendo eu
Viverei eu
No teu eu!
Por que eu
Sinto teu
Sou eu
Seu eu
Todo eu!!!
Todo teu.

Amanda Sotero
26.03.05

" Amor da minha vida daqui até a eternidade. Nossos destinos foram traçados na maternidade"... =***

25.6.06

Flor dos meus sonhos...

Bem, essa poesia que eu coloquei agora, escrevi há um tempinho, numa situação bem parecida a esta que vivemos agora... Mas antes ela tinha um certo grau, e hoje ela bate totalmente com o momento que vivo!!!
Homenagem a minha Flor...


Flor dos meus sonhos

Ah! Como me dói!
Como me dói ver a lágrima atrevida
Cambalear pelo rosto teu
E somente poder enxugá-la
Com minhas mãos...

Quem me dera...
... Quem me dera poder alcançar a outra
A lágrima que fere e corrói a tua alma.

Ah! Meu amor
Como me dói ter que ficar quieta
Onipresente e de mãos atadas
Nessa vida tua dolorida e incompreendida.

Como queria gritar alto
Talvez um grito desumano
Que pudesse abraçar todos os teus planos
E sair correndo por aí
Aonde o amor nos guiasse

Ah! Criaturinha linda
Como me dói te ver triste
Melancólica a cantar melodias sutis
Para tentar filtrar a dor fúnebre
Que encharca a tua alma dolente...

Se eu sei que tua essência é alegria
É um grande baile de fantasias
Onde só se sente o êxtase de se viver

Ah! Meu amor, minha mais linda.
Única, verdadeira e tênue flor.
Quem me dera não ser...
... Essa minúscula rosa, novata e amarrada.
Nesse imenso bosque, de exuberantes,
Luxuosas e virtuosas flores!

Quem me dera, não sê-la, meu bem!
Assim talvez eu pudesse salvar-te
Desta trucida floresta negra
E carregar-te para uma linda vida
Onde só exista a natureza
Das coisas belas, doces, coloridas...
... E perfeitas.

Amanda Sotero
10.03.06

23.6.06

Loucura exacerbada...

Dopada.

Eu não sei bem o que sinto, uma angustia vem
Levando meu corpo num gélido suspiro
No coração tudo o que se deserda,
A essência do meu eu em busca pelo querer viver,
Perdida num vazio de sentimentos desconexos.
Um mais que querer por sentir,
Contrapondo a trucida dúvida do meu existir
Dizer a mais do que aquilo que se conhece,
E depois no seu eu não conceber
Buscar pela alma corrente o seu pedaço de caminho, de corpo..
E viajar num espinhoso labirinto,
Labirinto cravado desde o meu princípio, seguidos dos meus instintos...
Um não sei o que de melancolia, que vem pelo desgosto
Ou mais ainda pelo gosto, e o pânico do suicídio...
De um lado, o tentador amado espaço e abrigo.
Do outro o asco, o repúdio de uma vida sem você.
Deixando essa alma a beira de um precipício.

Amanda Sotero
18.06.06

21.6.06

Meu ontem e hoje...

Bem, eu não costumo muito falar da minha vida como um “diário” nesse blogger, tenho ele mais para pôr as minhas idéias, contos, poesias e sei lá mais o que. Mas hoje, devido aos constantes imprevistos que me acometeram. Eu venho aqui para contar o que sinto e um dia.
Ontem, revelei mais coisas do meu mundo à minha mãe. Nobre mãe, foi tão compreensiva e linda nesse ponto. Ontem também, recebi umas pontadas no peito, fortes e gritantes, das que estou constantemente suspensa.
Ontem à noite, 2 h de loucura e introspecção, eu andei pela rua a fora, com meus pensamentos, meus sonhos, minhas saudades, meus conceitos. Acompanhada da chuva e do céu cinza.
As luzes correntes dos carros velozes ofuscavam às vezes a minha vista, a medida que meus pensamentos não se encontravam.
Voltei para o lugar “acolhedor”, cheguei em casa, falei com minha mãe, que logo em seguida saiu...
E meu amigo chegou. Ele veio fazer-me uma visita. Grande e lindo amigo, saudades enormes sempre dele sinto. Mas ele não pôde ficar mais que alguns minutos e teve que ir embora, pelo seu “dever”. Que pena, eu não estava com a cabeça “feita”, para dar-lhe toda atenção merecida, amigo que amo tanto.
Mas sua visita serviu-me de consolo e conforto. Eu me sinto amada por ele, e sei que ele sempre estará ao meu lado. Sempre...
Eu estava precisando desse abraço ontem, desse sentir-se amada. Por mãe, por pai, por amigos, por minha flor, por irmãos, por alguém...
Me sentia meio só e chateada com o mundo. Mais do que o “normal”.
Olhei para dentro, dentro de mim, e vi que sangrava muito, e o sangue na sua dor infernal não estancava.
Mas por fora, minha cara serena, só aos outros enganava. E me confortava.
Minha mente, me acalmava, assim como uma flor, que com suas pétalas em pluma, me acariciava...
Ele foi embora, e a noite me tomou num sono pesado, quase que como um desespero pelo sonho, pelo inconsciente pedido à palavra, em mim.
Meus sonhos gritaram à noite inteira, sonhos que viam, realidade que se permitiam ser mostrada.
No sonho tive revelações, uma das quais, no outro dia, eis que acontecera. Minha noite foi longa, meu inconsciente me alertou de várias coisas. Coisas que guardarei só para mim. E deixarei que elas aconteçam.
O engraçado é isso, minha vida tem dessas coisas, às vezes é preciso que meu inconsciente fale, pela exaustão do meu consciente...
E ele me dá mais respostas do que meu próprio raciocínio lúcido possa mostrar-me.
Enfim, e ele me fez questão de me acordar para que a cada sonho, meu consciente pudesse ler e guardar as coisas do meu subconsciente.
Bem, foi mais ou menos isso que me aconteceu.
Agora deixo-os aqui, e retorno a minha leitura, estou lendo “O amor nos tempos do cólera” que é muito bom por sinal, estou amando.
Estou só em casa, e bastante reflexiva.
Nunca mais uma tarde, me tomara em vida do meu tempo, no existir dos meus anseios.
“ Só é mais vivo quem se deixa levar, não pelo que consegue enxergar, mas pelo que realmente se sente” ( Frase minha)

20.6.06

O bravo, " Mais vale a inimizade de um bloco inteiro, que uma amizade feita de pedaços de madeira colados!" ( Nietzsche) - [ MENTE INTERROMPIDA]


Alma exterior

A cor da noite ao seu redor
Fez-se brumas de melro negro
Transformou o corpo todo em pó
Na margem cruel daquele ensejo

Pelas ruas tortas que caminhou
Entre pedras e tombos levantou
Mas os passos em descompasso
Foram perdidos e rejeitados

A lua que derramou seu brilho
Ofuscou os mesmos olhos que a viu
Fez da noite, o pior inimigo
Da alma indefesa que persistiu

O coração que era puro amor
Foi exposto ao ridículo da flor
Que desabrochou em hora imprópria
Na alma que escancarou a sua porta.

Amanda Sotero
19.09.05

19.6.06

Um mero... conto!

Clara


Ela abriu a porta da sala, olhou para todos que estavam depositados no sofá e deu um sinuoso e alto grito:_ Eu não agüento mais!!!

Todos assustados num só pulso miraram-se na jovem Clara.

Ela sempre fora uma menina quieta e serena. Brincava com seus primos, corria pela sala à noite, adorava desenho animado. Enfim, Clara fora uma criança aparentemente igual a todas as outras, normal. Mas existia uma coisa que a diferenciaria das mesmas, que a própria Clara desconhecia.

Aos treze anos, ela teve jogado na cara, cuspida e cravada o começo da brutal realidade que é a vida.

Clara perdeu o seu pai, não ele não morreu, mas foi embora do seu coração de tal forma que nem mesmo os anos dourados trariam mais. Sua mãe teve a dura incumbência de ter que criar os seus três filhos, ainda passando pela transição da adolescência com todos os seus respectivos conflitos, teve também que neutralizar muitos de seus valores e correr atrás de um equilíbrio.

Mas a mãe de Clara, sempre teve um temperamento e vida interpessoal difícil

Por mais que Clara tentasse se anular para sobrepor a sua mãe, esta não percebia tal chagas que infestava-se na sua filha do meio.

Clara também, nunca teve um bom relacionamento com o seu irmão mais velho, quando se falavam eram apenas coisas básicas do dia-dia e quando se desentendiam, sangue coloria a casa.

A ainda pequena garota, não conseguia olhar para si mesma. Ela foi crescendo frustrada e revoltada. Clara tinha uma índole boa, ela queria a justiça social, pensava no futuro e em seus sonhos, mas aceitava que eles nunca chegariam a se tornar realidade.

Eis que Clara, coitada, sofre!

Ela fica dias e noites trancafiada no seu quarto, acompanhada apenas dos seus desejos e suas duvidas.

Clara sempre fora tida como a diferente da família. Ela já fora humilhada inúmeras vezes em reuniões, em outras ocasiões, sempre se sentira deslocada.

Sim, se Clara apanhava?

Ela vivia levando pancadas das vidas que se encontravam no seu ciclo mais pessoal. Ela odiava mortalmente a violência em si. E se revoltava cada vez mais quando injustamente acontecia com ela. Não que Clara fosse uma puritana, ela tinha também os seus momentos de insanidade, mas eram poucos em vista do que se passa em seu intimo.

Enfim, Clara se frustrava cada vez mais. Cada dia mais...

Até que um dia, ela passou a sentir e querer seguir seus próprios desejos. Sua maneira de se vestir, seu corte de cabelo, suas escolhas, seu e somente enxergar mais seu eu. Talvez Clara estivesse crescendo.

Ela passou a se sentir gente, humana, alguém. E passou também a perceber que poderia fazer mais por ela mesma.

Aos quatorze anos teve a sua primeira relação mais intima, não o sexo, com outro alguém. Esse que seria o seu primeiro amor e dor de amor.

Ela passou anos tendo algo, absolutamente esporadicamente, com a mesma pessoa, mas paralelamente com outras também.

Clara se apaixonou perdidamente mais três vezes por outras pessoas, mas sempre amores frustrados.

Ela então no ápice de seus dezoito anos, no pico de sua revolta e dor introspectiva, num suspiro quase falho e lágrimas agonizantes, mãos tremulas e pressão baixa, revela a sua mãe que descobrira gostar do mesmo sexo e só ter amado um único homem em toda a sua vida, mas que o seu maior amor tinha sido uma mulher. Falou também, que o resto dos homens que passaram pela sua vida tinham sido um tipo de fuga, de buscas por respostas, de medo, de prova de fogo e desespero de sua parte.

Sua mãe, no ápice da loucura e revolta de sua vida, não entende Clara, mas diz que a aceita.

Ora, porém brigas e mais desentendimentos e revoltas vieram depois. Talvez a sua mãe não tinha ainda a aceitado.

Clara entra em contradições consigo mesma e se desespera cada vez mais. Ela está se sentindo perdida em meio a um labirinto infindável, ela se sente trancafiada numa pequenina caixa repleta de facas por todos os lados, ela quer gritar um grito desumano, ela quer fugir daquela casa vazia, ela perde o medo da morte, perde o medo do escuro, ela perde o desejo pela vida, ela tenta esquecer seu passado, mas ele está cravado em sua memória doente.

Como pode uma garota tão nova e bonita, recheada de qualidades estar assim tão indignada com a vida? Os outros se perguntam.

Mas eles não sabem que Clara se sente afundada num navio pesado e escuro no fundo do oceano tentando gritar, sair, mas ninguém a escuta, ninguém consegue vê-la.

Clara, então, faz provas com a vida, ela usa e abusa do álcool, ela toma coragem para fazer o que deseja, Clara se mostra a revoltada, ela assume a fumaça correndo em seus pulmões. Ela conhece novas pessoas, Clara finge um retrato oposto do seu, Clara... conhece as drogas, Clara utiliza dela para satisfazer os seus desejos reprimidos. Cada vez mais ela se sente no fundo do poço e sabe que esta caminhando para ele. Ela desistiu de tentar, ela desistiu de caminhar. Clara desiste de se explicar, ela desiste da vida. Clara brinca com a vida. Clara definitivamente fraqueja e falha consigo mesma.

Então alguns diziam depois, ela só precisava de mais compreensão, de mais carinho, de mais zelo e atenção, não agüentava mais os brutos pesos pousados em suas costas.

Mas Clara não agüentou mais nada e então um dia, no frio e alto de sua loucura sóbria, cruel e injusta dor, entra na sala de sua casa e grita: _ Eu não agüento mais!!!

Dias depois, sai no jornal uma coluna dizendo:

“Garota nova, bonita, de família de classe media, com dois irmãos, de pais separados, suicida-se essa madrugada num lago que se encontra na Universidade Federal de Pernambuco. Ela vestia-se com um vestido branco, repleto de pedras em seus bolsos, o que a impedira de boiar. Clara tinha apenas dezoito anos e pelo que se sabe, deixou dedicada a sua família uma carta e um legado de papeis escritos com seus sonhos e suas revelações.”

Agora se pergunta; Será que Clara conheceu um pouco sobre a vida de Virginia Woolf ?

Amanda Sotero

18.6.06

Poesia feita num dia totalmente inusitado, com os sentimentos a flor da pele...


Renascer

Essa noite não é a mesma
Poderia ficar te olhando por horas
Tu, a reaparecer entre sombras alvas
Nesta imensa escuridão de dores

Que hoje, só com o seu brilho irradia
Sensações novas a um amante nato como eu
Que consegues perpassar pelo meu corpo
Esta loucura que me sacia.

Tu com tua mais apurada e perfeita forma
Hoje nada parece poder de intervir
Tu que vigia qualquer alma sempre
Com tuas filhas espalhadas por aí...

Estás a iluminar, incessantemente,
Cada pedaço desse infinito
Que é ardente e vivo, como fogo
Sentindo na pele cada faísca eloqüente.

Mas tu hoje tão sinal de vida
Vida que me toma por desejos
Pelo novo, pelo bem, pelo ser em ser
Pelo que há de me convir

Virar-me totalmente do avesso,
Na plenitude do meu eu em vida.
E com a cara e coragem
Enfrentar um novo renascer

Amanda Sotero
15.06.06

17.6.06

Uma poesia minha retratando uns ontens...

O Encontro e A Saída

Parte-I

Primeiro vem nossos olhos, a saudade carregada no peito,
A ânsia de um louco e eterno beijo
Seguidos pelo gracioso abraço acolhedor,
Repetido, pelo beijo repreendido...

Até que a multidão se apresenta e com ela o medo...
O primeiro sinal de pânico, o acelerar do coração...
Seguidos de uma ofegante respiração
Caindo na margem, do introspectivo desespero

Os olhares, os dedos, a lágrima que corre por dentro
E a coragem? Fingida como a de uma colombina
E o escudo e a espada, o presente amor.
Ao receber-se de apenas um singelo tocar.

Depois a fuga, a busca por uma saída
A dor quase que gritante em desespero,
Mas mantendo-se firme a colombina
Levando por uma pureza linda de menina...

Parte-II


Após o fato, marcante e pesado...
Vem a angustia perfurando todo o peito...
Não se sabe se fala, se chora, se cala
Aquilo vem de impulso, quase que incontrolado.

E quando se dá conta, mesmo no local acolhedor
Quando percebido que o perigo já passou.
Jorra-se para fora o desespero do verdadeiro amor
Mostra-se estampado na cara, a traumatizante dor

A mesma dor dividida em dois seres distintos
A mesma mão, ali, no peito dos sentimentos
E a transmissão regada de emoção, de pensamentos.
E naquele instante, um surto doce de calmaria.

Os olhos, agora marejados, novamente trocando segredos,
A pele sentida com a maior meiguice dos tempos
E no meio, os seres com o abraço embriagador
Tomando os corpos num único e amante, entorpor...

E no fim o descontrair de um riso encantador...
Os lábios, a boca, a língua, veio aquele desejo tentador
E com os corpos colados, os braços entrelaçados..
Num cantar de um beijo, a única certeza... O amor.

Amanda Sotero
17.06.06

16.6.06

A menininha que vai ter que cuidar de outra menininha...


Crítica Pessoal.

Saiu no Jornal do Comércio, dia 15 de junho de 2006, “Menina de 10 anos torna-se mãe”. Gente, eu fiquei atônica quando li essa reportagem. Uma menina de apenas 10 anos deu luz a uma criança, não foi divulgado o sexo da mesma, numa maternidade Santa Mônica em Maceió. Na reportagem dizia que o parto foi cesariano, claro parto de risco, e que o pai da criança era o seu namorado. A médica descartou a possibilidade de a menina ter sofrido violência sexual ou abuso sexual. Não foi divulgado o nome, nem a procedência dos envolvidos. As duas crianças passam bem.

O índice de natalidade está caindo, mas na adolescência percebemos cada vez mais os seu aumento. Segundo o SUS (Sistema Único de Saúde) aproximadamente 27% dos partos feitos no ano de 1999, foram em adolescentes de 10 a 19 anos, isso quer dizer que a cada 100 partos, 27 foram em adolescentes, dando um total de 756.553, naquele ano.

Agora por que isso ocorre?

Muitas vezes isso ocorre por falta de orientação sexual nas escolas, nas famílias, nas comunidades. As pessoas têm que perceber que cada vez mais a tendência é a criança desde cedo partir para aflorar esse seu lado mais “adulto”, e que é preciso que a educação venha logo cedo de casa, os pais influenciar sua filha ou filho, a falar sobre suas “curiosidades”, sem repreensão, deixando-os à vontade. E claro dando-lhes meios para uma contracepção tanto ativa, quanto passiva. Já que realmente a prática sexual é algo necessário para o seu humano, mas não precisa ser tão cedo.

A mídia também é outra que acaba influenciando nessa “atrocidade”, exagerando na erotização do corpo de algumas pessoas que são vistas na passarela, revista, cinema e televisão. Para os adolescentes, eles são verdadeiros ídolos, que passam uma imagem de liberação sexual. E o adolescente acaba por querer imitá-los.

Vejamos um caso que mostra isso, a empregada da minha avó conversando naturalmente conosco durante um almoço, ao ver um programa desses exibidos no sbt nordeste, do horário, o qual só passa vulgarização e exposição dos corpos femininos e masculinos, influenciados por um ritmo musical que é “recebido” mais pela população desprovida de “recursos”, disse que a netinha dela de apenas 2 anos de idade adorava aquele programa e vivia dançando junto a televisão. Engraçado não, sua filha teve sua neta com apenas 16 anos de idade.

Enfim, aonde eu quero chegar com isso??

Bem, não quero mudar o mundo sozinha, sei que isso, não poderei, mas a minha boca é minha, minhas mãos e liberdade de expressão também. E desde que tenho “recursos” desde morais e éticos, do meu principio de existência e viver-se bem. Eu falarei sobre o que eu acho que está certo ou errado. E tentarei conscientizar os outros disso, ou então apenas mostrar-lhes do que de real está acontecendo por aqui.

Se eu devo mostrar minhas “pílulas milagrosas” para consertar o erro?

Não, deixo isso agora para vocês, minha opinião e ação já estão sendo feitas, espero então que vocês é que caiam na real e vejam o que podem fazer por isso, e por outras...

Amanda Sotero

15.06.06

14.6.06

Minha primeira postagem...

Bem, na verdade quem fez esse Blogger para mim, foi meu querido Roberto Leite, grande baixista e também escritor, seu blogger é http://www.robelixblog.blogspot.com/. Até agora tive apenas poucas oportunidades de conversar com esse excelentíssimo homem, mas uma delas, foi numa mesa de um bar, tomando uma cerveja com amigos em comum e discutindo coisas da vida, descobrindo várias afinidades e esperando o tempo passar para que Roberto pudesse começar seu show, na Banda El Mocambo. Enfim, lindo dia... Lindo show!
Pense como é massa, eu havia ouvido falar dessa banda, minha amiga (Taísa) fazia questão de encher meu saco falando que essa banda era isso, era aquilo, que “puta que pariu” pra lá, e “meu velho” num sei o que, e eu ainda não tinha assistido a nenhum show deles. Até que um dia sem mais nem menos. Bem, vamos ao public, vai ter El Mocambo. Foi minha querida amiga Ludmila Fernandes, mais conhecida como Girassol ou Tournesol Surréaliste, que também é outra, que meu deus do céu, escreve maravilhosamente lindo, que nos “levou” ao show... Bem o que posso dizer, surtei lá não é?! Simplesmente viajei na banda, e todo mundo falava da minha “viagem”... Rs...
Enfim, querido Roberto, obrigada pela consideração, e pelos elogios que fez a mim, no e-mail... Creio que não sou aquilo tudo não, mas mesmo assim... Obrigada! Rs...
Bem a minha primeira postagem foi essa, quem quiser descobrir um pouquinho dessa “viajadinha” aqui, ou simplesmente não ter nada para fazer e quiser dar uma passadinha aqui, fiquem à vontade.
Uma poesia minha para começar...

Um revisionismo

O que?
O quê será de mim?
Neste barco sem seu fim
Neste mar sem um porto

Para onde estão me levando?
Deixo-me ser levada?
Ou paro o vento?
Com o uso da razão.

_Não!
Eu segurei essa jornada
É o que quero
Beijar e ser beijada.

Correr, parar, viver?
_Não!
Apenas navegar:

Viver não é preciso
Navegar é preciso.

Então eu vou,
Vou partir
Para nunca mais voltar!

Serei simplesmente eu!
Até quando o meu dia
Decidir-se, terminar!

Amanda Sotero
12.07.05

*Para: Fernando Pessoa- “Mensagens” e Caetano Veloso- “Os argonautas”.

Profilaxia

"Estas palavras que escrevo são o que me livram da loucura total" - Charles Bukowski